A aposentadoria é um dos direitos mais importantes do trabalhador brasileiro — e também um dos mais complexos. Entre mudanças na legislação, regras de transição da Reforma da Previdência e dúvidas sobre como calcular tempo de contribuição, muitos brasileiros chegam à hora de se aposentar sem saber exatamente a quais benefícios têm direito.
Neste artigo, explicamos de forma clara e completa tudo sobre aposentadoria e direitos trabalhistas no Brasil: as modalidades disponíveis, os requisitos atuais, os direitos garantidos por lei e como evitar os erros mais comuns que fazem trabalhadores perderem dinheiro na hora de solicitar o benefício.
1. O Que é a Aposentadoria pelo INSS?
A aposentadoria pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) é o benefício previdenciário pago mensalmente ao trabalhador que cumpriu os requisitos exigidos por lei após anos de contribuição ao sistema público de previdência social.
Todo trabalhador com carteira assinada (CLT), autônomo contribuinte, servidor público vinculado ao RGPS e microempreendedor individual (MEI) tem direito à aposentadoria, desde que respeite as regras vigentes.
Quem tem direito à aposentadoria pelo INSS?
- Empregados com carteira assinada (CLT)
- Trabalhadores autônomos que contribuem mensalmente
- Microempreendedores Individuais (MEI)
- Domésticas registradas
- Trabalhadores rurais
- Segurados facultativos (donas de casa, estudantes etc.)
2. Modalidades de Aposentadoria Após a Reforma da Previdência
A Emenda Constitucional 103/2019, conhecida como Reforma da Previdência, alterou profundamente as regras para se aposentar no Brasil. Atualmente, as principais modalidades são:
2.1 Aposentadoria por Idade
É a modalidade mais comum. Para trabalhadores da iniciativa privada, os requisitos são:
- Homens: 65 anos de idade e mínimo de 15 anos de contribuição
- Mulheres: 62 anos de idade e mínimo de 15 anos de contribuição
Trabalhadores rurais têm idades reduzidas: 60 anos para homens e 55 anos para mulheres, com 15 anos de comprovação de atividade rural.
2.2 Aposentadoria Programada (antiga por Tempo de Contribuição)
Com a reforma, não existe mais a aposentadoria por tempo de contribuição no formato anterior. A nova aposentadoria programada exige pontuação mínima (idade + anos de contribuição):
- Homens: mínimo de 65 anos e 20 anos de contribuição (pontuação progressiva até 2027)
- Mulheres: mínimo de 62 anos e 15 anos de contribuição (pontuação progressiva até 2031)
No entanto, é possível verificar se há direito às regras de transição da aposentadoria por tempo de contribuição, como pedágio 50%, pedágio 100%, idade mínima progressiva e sistema de pontos progressivos.
2.3 Aposentadoria Especial
Destinada a trabalhadores expostos a agentes nocivos à saúde (ruído, produtos químicos, calor excessivo, dentre outros).
Permite aposentadoria com 15, 20 ou 25 anos de contribuição, dependendo do grau de exposição.
Após a reforma da previdência, também é preciso cumprir a idade mínima de 60 anos de idade (na maioria dos casos) ou 86 pontos (soma da idade com o tempo de contribuição total).
2.4 Aposentadoria por Incapacidade Permanente (antiga Invalidez)
Concedida ao trabalhador que se torna incapaz permanentemente para qualquer atividade laboral, mediante perícia médica do INSS.
2.5 Aposentadoria da Pessoa com Deficiência
Existem 2 modalidades da aposentadoria da pessoa com deficiência e que não foram alteradas pela reforma da previdência.
Essas regras são especialmente importantes pois permitem aposentar inclusive sem idade mínima e com até 10 anos de contribuição a menos.

3. Regras de Transição: Você Pode se Enquadrar nas Regras Antigas?
Para proteger quem já estava próximo de se aposentar antes da reforma de 2019, foram criadas cinco regras de transição.
Verificar qual a mais vantajosa para o seu caso pode significar a diferença de anos no tempo de espera — e muito dinheiro no valor do benefício.
- Pedágio de 50%: para quem faltava pouco tempo para completar 30/35 anos de contribuição
- Pedágio de 100%: para quem tinha ao menos 28/33 anos de contribuição em novembro de 2019
- Transição por pontos: soma de idade + tempo de contribuição com pontuação progressiva
- Transição por tempo de contribuição com idade mínima progressiva
⚠️ Atenção: calcular erroneamente qual regra se aplica ao seu caso pode resultar em anos a mais de trabalho ou em um benefício significativamente menor
Consultar um advogado especialista em direito previdenciário é fortemente recomendado.
4. Direitos Trabalhistas na Aposentadoria: O Que Muda no Contrato de Trabalho?
A aposentadoria traz implicações importantes na relação de emprego.
Conheça os principais direitos trabalhistas relacionados à aposentadoria:
4.1 O Trabalhador Pode Continuar Trabalhando Após se Aposentar?
Sim. No Brasil, a aposentadoria voluntária não extingue automaticamente o contrato de trabalho. O trabalhador pode se aposentar e continuar no mesmo emprego, acumulando salário e benefício previdenciário — o que é chamado de aposentadoria ativa.
4.2 Multa do FGTS na Aposentadoria
Em caso de demissão sem justa causa após a aposentadoria, o trabalhador continua tendo direito à multa de 40% sobre o saldo do FGTS. No entanto, se o próprio trabalhador pedir demissão para se aposentar, não há pagamento de multa pelo empregador.
4.3 Aviso Prévio
O trabalhador que pede demissão para se aposentar tem direito ao aviso prévio trabalhado ou indenizado, conforme o caso. Da mesma forma, o empregador que dispensa o trabalhador deve cumprir o aviso prévio normalmente.
4.4 Férias e 13º Salário Proporcionais
Independentemente do motivo do desligamento, o trabalhador tem direito ao recebimento proporcional de férias não gozadas e 13º salário referente ao período trabalhado no ano.
4.5 Estabilidade do Empregado Próximo da Aposentadoria
Algumas convenções coletivas e acordos trabalhistas preveem estabilidade para o trabalhador nos 12 ou 24 meses que antecedem a aposentadoria. Verifique se a sua categoria possui essa proteção — ela pode impedir a demissão sem justa causa neste período.
Se você tem dúvidas sobre seus direitos trabalhistas, é essencial consultar um advogado trabalhista para não ser prejudicado.
5. Erros Comuns que Fazem Trabalhadores Perderem Benefícios
Muitos trabalhadores perdem dinheiro na aposentadoria por falta de informação. Veja os erros mais frequentes:
- Não verificar o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) para confirmar se todos os períodos de contribuição estão registrados
- Não solicitar o reconhecimento de períodos de trabalho sem registro em carteira
- Desconhecer o direito à aposentadoria especial quando exposto a agentes nocivos
- Não solicitar conversão de tempo especial em comum (1 ano especial pode equivaler a 1,4 ano comum)
- Deixar de incluir períodos de contribuição como autônomo ou MEI
- Aceitar o primeiro cálculo do INSS sem contestar quando o valor parece baixo
- Não recorrer administrativamente ou judicialmente quando o benefício é negado indevidamente

6. Quando Vale a Pena Contratar um Advogado Previdenciário?
A assessoria jurídica especializada é altamente recomendada nos seguintes casos:
- Quando o INSS nega o benefício sem justificativa clara
- Quando o valor calculado parece inferior ao esperado
- Quando há períodos de contribuição não reconhecidos pelo sistema
- Para trabalhadores expostos a atividades especiais que desconhecem seus direitos
- Para quem tem histórico de trabalho informal e precisa comprovar vínculos
- Quando há dúvida sobre qual regra de transição é mais vantajosa
Um advogado especialista pode recuperar valores retroativos, corrigir erros no CNIS e aumentar significativamente o valor do benefício — o que, ao longo dos anos, representa uma diferença enorme na renda do aposentado.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros se aposenta recebendo menos do que tem direito — não por falta de contribuição, mas por falta de informação. Um erro no cálculo do INSS, um período não reconhecido ou a escolha errada da regra de transição podem custar dezenas de milhares de reais ao longo da aposentadoria. Conhecer os seus direitos não é luxo: é o que separa uma aposentadoria digna de uma aposentadoria injusta.”
— Hilário Bocchi Neto (Tico), advogado especialista em Direito Previdenciário | Bocchi Advogados
Conclusão: Planejamento é a Chave para uma Boa Aposentadoria
A aposentadoria não deve ser encarada como algo que simplesmente acontece quando se atinge uma determinada idade. É um processo que exige planejamento, conhecimento das regras e, muitas vezes, assessoria especializada para garantir que todos os direitos sejam respeitados.
Verificar regularmente o extrato de contribuições no CNIS, entender qual modalidade de aposentadoria se aplica ao seu perfil e conhecer os direitos trabalhistas na transição para a inatividade são passos fundamentais para uma aposentadoria segura e com o melhor valor possível.
Se você tem dúvidas sobre seus direitos previdenciários ou acredita que o INSS negou ou calculou incorretamente seu benefício, procure um advogado especialista em Direito Previdenciário e Trabalhista.
Conteúdo do Artigo
